Por que certificações deixaram de ser diferencial e passaram a ser evidência. E o que isso muda para quem atua em facilities, compras e gestão de ambientes.
No combate ao greenwashing, certificações importam
As atividades de higiene e limpeza impactam diretamente o meio ambiente. Produtos químicos, consumo de água, geração de resíduos, emissões na cadeia logística — tudo isso faz parte da equação. E num mercado onde qualquer empresa pode se apresentar como “sustentável”, a pergunta que fica é: o que diferencia discurso de compromisso real?
A resposta está na validação independente. Certificações como Sistema B, EcoVadis, GHG Protocol e CO₂ Neutro não são decorações de proposta — são auditorias que exigem evidências. Elas estruturam metas, mensuram resultados e pressionam por melhoria contínua. Mais que fortalecer a confiança e mitigar riscos regulatórios, essas referências consolidam uma visão de impacto positivo e compromissos concretos com o futuro.
Sustentabilidade e performance não são objetivos concorrentes. Quando bem integradas à operação, elas se reforçam — e certificações são o mecanismo que torna esse equilíbrio mensurável e verificável por terceiros.
Certificação tem retorno — e ele é mensurável
A pergunta mais comum de quem considera o processo é: isso se paga? A resposta é sim — mas o retorno raramente aparece só onde as pessoas esperam.
Quando uma empresa mapeia suas emissões para obter o GHG Protocol, descobre onde está o desperdício na cadeia logística. Quando se submete à auditoria do Sistema B, passa a registrar políticas que antes existiam só na cultura — e que, sem registro, não sobrevivem a uma troca de liderança. Quando certifica um ambiente com WELL ou LEED, obtém dados concretos sobre produtividade e satisfação dos colaboradores.
“A certificação serve para dar reputação e credibilidade. O que faz a grande diferença é como você a entende: não como um fim, não só como um selo, mas como um processo de jornada.” Cíntia Girardi · Diretora Executiva, Sistema B Brasil · RL Conecta 2026
O retorno aparece na redução de riscos (quem mapeou sua cadeia suportou melhor as rupturas de suprimento dos últimos anos), na retenção de talentos (profissionais mais jovens escolhem empregadores com base em valores), no acesso a mercados (grandes clientes estão exigindo comprovação de práticas ESG nos fornecedores) e na valorização da empresa em processos de negociação e captação.
E existe ainda um retorno mais direto: empresas que revisam seus processos durante a certificação frequentemente eliminam desperdícios operacionais que nunca tinham sido mapeados.
Como saber se a certificação está na operação — ou só na parede
Numa concorrência, todas as empresas apresentam selos. O que separa quem certificou por convicção de quem certificou para participar do processo?
A resposta está na consistência ao longo do tempo. Certificações como a do Sistema B exigem recertificação periódica — e a auditoria verifica evidências tangíveis, não intenções declaradas. Empresas que incorporaram o processo de verdade têm políticas registradas, indicadores acompanhados e lideranças engajadas além do período de auditoria.
“Ter a certificação não significa que a empresa necessariamente será boa. Mas é uma forma de elevar o sarrafo — de colocar para concorrer empresas que têm a mesma preocupação em se preparar para o cliente.” Hugo Pereira · Diretor Geral SP, Grupo Órion · RL Conecta 2026
Para quem contrata, a dica prática é combinar a exigência do certificado com a consulta a clientes reais da empresa — tanto os mais antigos quanto os mais recentes. A certificação abre a conversa; o histórico a confirma.
Para quem está do outro lado — avaliando se vale iniciar o processo —, a pergunta certa não é “tenho dinheiro para isso?”, mas “tenho compromisso para sustentar isso?”. A certificação que não é mantida com a mesma seriedade com que foi conquistada se transforma, com o tempo, exatamente naquilo que pretendia combater.
A RL também é certificada — e isso não é coincidência
Falar sobre certificações com autoridade exige mais do que conhecimento do tema. Exige prática. A RL carrega esse compromisso desde 1998 — bem antes de qualquer pressão de mercado — e hoje acumula um conjunto de certificações que refletem cada dimensão da sua operação.
Não é uma coleção de selos. É o registro de uma jornada que começou décadas antes de a palavra ESG entrar no vocabulário corporativo — e que segue em melhoria contínua.
O debate na íntegra
O RL Conecta é o encontro anual promovido pela RL Higiene para reunir profissionais de facilities, compras e gestão de ambientes em torno de temas que importam para o setor. Nesta edição, o painel de abertura colocou certificações no centro do debate — e a resposta veio de três perspectivas complementares: quem certifica empresas, quem contrata serviços certificados e quem presta serviços e se certifica.
As aspas que aparecem ao longo desta news são recortes de uma conversa muito mais densa. Mauro Campos, gerente sênior de Facilities da MSD e presidente do Conselho da ABRAFAC, Hugo Pereira, diretor do Grupo Órion e certificado LEED AP, e Cíntia Girardi, diretora executiva do Sistema B Brasil, passaram mais de uma hora aprofundando cada um desses pontos — com dados, casos reais e provocações diretas para quem está na ponta da operação.




